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Música

Fresno aposta em evolução musical com novo disco

André Schröder

Considerada fenômeno underground, responsável por shows lotados e por uma legião de fãs atentos a cada passo da banda, a Fresno trabalha na divulgação do disco 'Redenção', quarto trabalho do grupo e o primeiro lançado por uma grande gravadora. Lucas Silveira (vocal e guitarra), Gustavo Mantovani (guitarra), Rodrigo Tavares (baixo) e Rodrigo Bell (bateria) apostam em evolução musical para superar o rótulo de emo e firmar a Fresno como um dos grandes do rock nacional. O vocalista Lucas, conhecido também por Paraíba, fala sobre a nova fase da banda.

O novo disco da Fresno tem uma sonoridade diferente dos trabalhos anteriores. O que determinou essa mudança?
A verdade é que nunca pensamos em mudar conscientemente o nosso som, nunca achamos que aquilo que fazíamos não estava dando certo. Desde os primeiros tempos de underground conseguimos emplacar nossas músicas. O que acontece é que normalmente as bandas têm vontade de evoluir, de fazer coisas diferentes. Foi isso que fizemos no disco novo. Queríamos fazer músicas que soassem diferentes das outras.

Podemos dizer que a banda passou de uma linha hardcore para algo mais pop?
Nos outros discos nós ainda tínhamos uns resquícios da época que tocávamos um som mais voltado para o hardcore, mas nunca achei que fossemos uma banda desse tipo porque não tínhamos uma pegada tão rápida. Com o tempo nós passamos a descobrir que as pessoas gostavam da banda mais pelas letras e pelas melodias. Então procuramos fazer isso funcionar mais, de forma mais desenvolvida. Acho que fizemos uma mudança para melhor, pois tocamos as músicas novas nos shows e sentimos o efeito positivo que elas causam no público.

A repercussão do novo trabalho tem sido positiva?
Está bem legal. O pessoal recebeu o disco muito bem. Nosso público está sempre ligado nas novas propostas de trabalho, acompanhando pela Internet para onde estamos apontando. Entre os discos 'Ciano' e 'Redenção' foram lançados dois singles que mostraram pra onde estávamos indo. Isso foi encarado com muita naturalidade por nós e pelo público. Além disso, o disco tem uma vendagem muito boa e as músicas estão funcionando muito bem ao vivo. Trabalhamos num disco que colocasse "a casa abaixo" nos shows e estamos curtindo muito isso.

Como foi sair do underground e fazer sucesso no Brasil inteiro? Vocês ainda podem andar tranqüilos na rua?
Isso é um negócio muito louco. Uma coisa que fizemos muito é falar pro outro: "você está entendendo o que está acontecendo?". Há poucos dias participamos do programa da Hebe (Camargo). Outro dia fizemos um churrasco na casa do Chitãozinho. São coisas que nunca esperávamos fazer. Por mais que sempre tenha sido um sonho ficar conhecido, tu nunca imaginas essas coisas. O mais legal é que tudo isso ainda está começando, ainda estamos sendo apresentados para a maioria das pessoas.

E como foi tocar na Hebe?
Foi muito bom. Além de tocar ficamos ali no sofá com ela. A maioria do público que assiste ao programa dela nem devia nos conhecer. Acho que as pessoas até podiam ter ouvido nossa música das rádios, mas não sabiam quem nós éramos. É muito bom pra gente aparecer nesses programas voltados para um público de massa. É como se estivéssemos pescando com uma rede bem maior, porque são milhões de pessoas acompanhando e parte dessas pessoas vão começar a ouvir e acompanhar a banda.

Como é o processo de composição da banda? A parceria com o baixista Rodrigo Tavares está funcionando?
Antes da entrada do Tavares as composições eram basicamente minhas. Ele sempre esteve interado da Fresno (antes de entrar para a banda, Rodrigo Tavares havia produzido os dois primeiros trabalhos) e sabíamos das várias músicas que ele tinha feito. Então a parceria rolou naturalmente. Ele dizia que tinha uma música, eu dizia que tinha outra, nós juntávamos os pedaços e fazíamos uma música nossa. São quatro faixas nossas no 'Redenção' e talvez isso fique ainda mais forte para o próximo disco, com quase todo o repertório dividido entre eu e ele.

Em quem a Fresno se inspira para construir o visual da banda?
O visual no rock sempre acaba homenageando alguém que o cara curte. Nós gostamos desde clássicos como Iron Maiden e Motley Crue, com essa moda de usar calças apertadas, até grupos mais modernos e ainda desconhecidos no Brasil, como uma banda chamada Anberlin, que somos fãs. Nós olhamos essas bandas e comentamos: "olha só o cabelo do cara" ou "olha como ele ta vestido". Da mesma forma como hoje tem bandas novas que copiam o meu cabelo e o meu visual. A influência não é só no som, mas também na estética. A galera tem que te ver a banda e achar legal tudo. Somos uma banda com identidade visual marcante.

O que acham do estereótipo emo? Vocês ficam incomodados com o fato de serem colocados "no mesmo saco" junto com outras bandas?
Isso já incomodou muito mais, quando na verdade surgiu um preconceito em torno desse rótulo. O lance do som emo existe há mais de 10 anos e era o máximo dizer que tocava ou ouvia emo. Depois o conceito foi distorcido. Lembro que saiu uma reportagem na revista 'Época' que deu o tom de todas as matérias que saíram depois, misturando um monte de coisa diferente. Pegaram uns carinhas meio góticos, outros clubber e disseram: "isso aqui é o emo".

A definição ficou pejorativa?
Começou a se popularizar a história que emo é o cara que vai a festinhas, fica felizinho e beija os amiguinhos. Não tinha mais nada com música: era a franja, a maquiagem, as unhas. A Fresno acabou no meio desse furacão, desse rótulo. Disseram que éramos os ícones dos emos. Eu acho que isso já está passando. No início da década, qualquer banda que tinha guitarras distorcidas era considerada new metal. Agrupavam bandas como Korn, Linkin Park, Limp Bizkit e Deftones, que não eram parecidas. Nós esperamos que um dia as pessoas digam que somos emo, mas que somos bons. As bandas realmente boas se mantêm e superam o reducionismo. Não nos importamos mais muito com o que falam e nos fechamos em busca de discos melhores, de novos fãs e de reconhecimento das pessoas que não ouviam nosso som antes.

Quais os próximos planos da Fresno?
O disco 'Redenção' ainda está em processo de divulgação e a coisa toda demora um pouco a engrenar. Foi nosso primeiro lançamento por uma gravadora grande. Nós compomos e produzimos coisas novas, mas não temos tempo de ensaiar ainda.

E o show que vocês fizeram com o Chitãozinho & Xororó?
Nunca participamos de algo tão importante. No final de julho começam e ser exibidas as séries de especiais do Estúdio Coca-Cola Zero, com a gravação do show que tocamos com o Chitãozinho & Xororó. Nós viramos uma banda só. Era toda a Fresno no palco e mais boa parte da banda deles tocando nossos maiores sucessos e alguns dos grandes sucessos da dupla. Ficou um instrumental muito rico porque tem as guitarras pesadas, mas tem gaita, sanfona, viola, violino, violoncelo, uma coisa absurda.

Redação Terra

Divulgação
O disco 'Redenção' é o quarto trabalho da Fresno, que está na ativa há quase 9 anos
O disco 'Redenção' é o quarto trabalho da Fresno, que está na ativa há quase 9 anos

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