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| 'Hellboy II' é um dos muitos filmes a apresentar um visual SteamPunk |
| Reprodução |
Elis Martini
Especial para o Terra
Máquinas e trens a vapor, submarinos e tecnologias que nunca existiram, roupas e costumes da era vitoriana. Esses são somente alguns dos elementos do SteamPunk, que já vem conquistando diversos admiradores. O conceito é novo, mas as referências vêm de muitos anos atrás. Conheça agora um pouco mais sobre essa onda.
Segundo Emerson Bohrer, fundador e atual presidente da Sociedade Brasileira de SteamPunk, que conta com cerca de 200 integrantes em todo o Brasil, o SteamPunk é um gênero da ficção que tem como marca a estética da era vitoriana, período histórico que aconteceu na Inglaterra durante o século XIX, no qual a evolução tecnológica era baseada na máquina a vapor.
"Chamo SteamPunk de gênero porque ele é realmente um gênero de ficção, e não um subgênero da ficção científica como muitos erradamente classificam. Mesmo porque o universo SteamPunk não é baseado na ciência prática, e sim em uma utopia tecnológica da máquina a vapor e da mecânica elementar", explica Bohrer.
Para Bruno Accioly, empresário na área de Tecnologia da Informação, editor e fundador do site de cultura nerd OutraCoisa (http://www.outracoisa.com.br/), uma das características mais marcantes do SteamPunk é a sua estética.
"Usando de um visual essencialmente vitoriano, peças de bronze, canos de cobre, motores a vapor e antigos engenhos elétricos, a tecnologia é mero pretexto para contar uma história, e não um fim em si mesma. Filmes como 'Hellboy', 'Liga Extraordinária' e 'A Bússola de Ouro' exploraram bem este visual, revisitando épocas pregressas enquanto descortinavam tecnologias baseadas em eletricidade e vapor que beiram o impossível, mas que servem bem a esse tipo de dramaturgia", explica Accioly.
"O SteamPunk é fundamentalmente anacrônico, retrofuturista e distópico, mostrando um mundo que não aconteceu, um futuro que tem cara de passado e um mundo que é o que não devia ser", completa o empresário, que também é responsável por um site especializado(http://www.steampunk.com.br/). "Até o fim deste ano vamos lançar duas tirinhas SteamPunk, uma usando esculturas criadas pela artista plástica Naná Hayne e outra feita em computação gráfica. Além disso, começamos a produzir a primeira temporada de uma série de contos curtos no estilo SteamPunk e a construir o esqueleto de um Role Playing Game (RPG) que vai ser usado no processo experimental de criação de uma graphic novel", antecipa Accioly.
"Acredito que o gosto pelo estilo venha desse fascínio por tecnologia e era vitoriana, e a brincadeira que existe entre esses dois elementos, onde toda tecnologia atual é possível com recursos da época. É meio como a diversão dos Flinstones, nas devidas proporções, é claro, em que os objetos são sempre versões da época para objetos contemporâneos", explica o estudante de design e ilustrados Fabio Ori da Veiga, cujos trabalhos incorporam elementos da estética do SteamPunk.
Para Cândido Ruiz, líder do movimento SteamPunk em São Paulo, o gosto pelo estilo vem desde cedo. "Desde criança sempre. Me fascinei pelo fantástico em filmes como 'Frankenstein' ou 'Metropolis', mas desconhecia que havia uma classificação para eles. Já ouvi diversas classificações complicadas como retro-futurismo, neo-vitorianismo ou distopia anacrônica, mas nada é tão simples e objetivo como SteamPunk", explica Ruiz, que cita 'Metropolis', 'A Máquina do Tempo', 'Jovem Sherlock Holmes', 'De Volta para o Futuro III', 'Wild Wild West', 'O Grande Truque' e 'Van Helsing' como alguns de seus filmes SteamPunk favoritos.
Ruiz, que participa da recém fundada Sociedade Paulista de SteamPunk (http://steampunksp.tk), explica que a entidade serve para organizar saraus, visitas a museus, seções de cinema de filmes SteamPunk, leituras e passeios. O sociedade também é responsável pelo 1º Evento SteamPunk Paulista, que acontecerá no final de novembro e irá contar com visita ao Memorial do Imigrante de São Paulo e passeios de locomotiva e bonde.
Acho que as pessoas se apaixonam pelo SteamPunk porque de certa forma ele resgata aquela fase do "cientista inventor" da nossa infância, que pegávamos uma coisa e imaginávamos outra. Uma garrafa de água poderia facilmente virar um tanque de oxigênio, um pegador de gelo podia se transformar em uma garra de robô e por aí vai", explica Bohrer.
"Pelo menos para mim, acho que o SteamPunk nos transporta para um universo onde ainda há espaço para infinitas criações e recriações de um mundo lúdico, e onde ainda existe todo o brilho da educação e romantismo da era vitoriana", completa o fundador da Sociedade Brasileira de SteamPunk.
Para mais informações sobre SteamPunk, acesse os sites:
http://steampunksp.tk
http://www.steampunk.com.br
Redação Terra